16/04/2022 às 08h09min - Atualizada em 16/04/2022 às 08h09min

Chocolate movimenta a economia nesta época do ano em todo o país 

Em Belém, quem trabalha com doces aposta nas receitas com ingredientes amazônicos e nas opções veganas

Mayron Gouvêa

Foto: Luis André Guedes
Quem é que não espera receber um ovo de chocolate no dia da Páscoa? Com os preços em alta, é permitido até mesmo um bom bombom, não é mesmo? E pode ser de todo tipo: ao leite, amargo, meio amargo, 50%, 70%, 100% cacau, não importa, o que vale mesmo é a intenção. Mas e se a proposta for um brigadeiro de cachaça de jambu? A receita existe. A responsável pela criação é Flávia Soares - uma chef paraense de corpo e alma que carrega na bagagem a forte ligação com os sabores amazônicos. Não é à toa que ela ganhou notoriedade e acabou convidada para participar do Cook Islands - Ilha do Sabor, reality gastronômico do canal GNT.

Mas, o que seria esse brigadeiro? Segundo a chef - a receita é ideal para finalizar uma refeição e pode virar uma sobremesa única. A textura e o sabor são inconfundíveis. Uma ótima opção, então, para o almoço da páscoa. “O cheiro do brigadeiro com a cachaça invade qualquer ambiente. Difícil é resistir ao quitute, principalmente nessa que é uma das épocas mais doces e gostosas do ano. Vale muito a pena para surpreender a família e os amigos”, afirma Flávia.




Experimentadora de novos sabores, a chef revela que a receita inusitada surgiu da vontade de comer simplesmente o brigadeiro. Contudo, depois de pesquisas, ela chegou a conclusão de que a mistura poderia ser uma excelente junção. “Inserir a cachaça de jambu foi um insight, e a gente que é paraense adora novidade, não é? E os sinais de que a receita seria um sucesso vieram na prática, pois todos que experimentaram ficaram impactados de como o chocolate agregou com a cachaça! E eu fiquei duplamente satisfeita!”, comemora Soares.

Apesar de ainda ser uma novidade, a chef já celebra a procura pela receita especialmente depois da apresentação feita em vídeo, veiculada na própria rede social, já com mais de 4 mil visualizações.

Na mesma linha de inovações, segue a Lorena Coelho, 23 anos. Ela é criadora de uma linha que atende ao público vegano. Ela estuda confeitaria, de doces tradicionais e à base de vegetais, desde os 15 anos. Hoje, é uma dos poucos profissionais que atendem a essa demanda. "Aqui, nossa regra é não utilizar nada de origem animal. Então, não utilizamos leite de animais e seus derivados; ovos de galinha; a gelatina que contém cartilagem de animais, nem mel. É uma confeitaria baseada nos princípios do veganismo, que é excluir na medida do possível tudo que é praticado como exploração animal", esclarece.

Os doces veganos vieram há 5 anos, quando a confeiteira se tornou vegana. Para a produção dos doces que enchem os olhos, a Lorena usa o chocolate, o cacau em pó e a manteiga de cacau e os famosos nibis do fruto. "A maior parte do nosso público é formada por pessoas vegetarianas, veganas e aquelas que têm restrição alimentar, com intolerância ou alergia ao leite animal. Mas há muitas pessoas que são sensibilizadas pela causa, mas ainda não fazem parte. Então, nesses períodos como a Páscoa, o faturamento é bom e acima dos demais meses", festeja.

De acordo com dados divulgados pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Assistência Social (Semas), o Pará é o maior produtor de cacau do país, atualmente, vencendo grandes produtores como a Bahia e municípios como Medicilândia, localizado na região da transamazônica, são apontados como eferência na produção.

Por isso, o economista Sérgio Melo reforça que há uma maior demanda pelo chocolate, que é um dos derivados do fruto, nesta época do ano. Em 2022, o aumento previsto é de 1,5% nas vendas em todo o país,  em comparação a 2021, segundo a CNC.

"Esse movimento influenciado pelo arrefecimento da pandemia de covid-19 beneficia os produtores paraenses, mas os efeitos poderiam ser maiores se o Estado possuísse um número considerável de empreendimentos de industrialização do cacau.
A grande parte dos produtos acaba vindo de fora, e isso diminui a amplitude do impacto positivo que o Estado poderia auferir. Um outro fator é o aumento generalizado de custos para todos os elos das cadeias produtivas gerado pela guerra na Ucrânia e pelo efeito da covid-19. Em suma, os benefícios são positivos para a economia paraense, especialmente para a agricultura familiar e o comércio, mas tem seus efeitos reduzidos pelos fatores citados", esclarece.

Quem se beneficia com a alta, como a chef Flávia, garante que é importante dar visibilidade para a produção regional. "Saber que o chocolate no Pará é considerado ouro, por sermos o principal produtor no Brasil, é muito nobre. Eu busco sempre enaltecer os produtores locais e inovar. Não tem nada melhor do que trabalhar com os produtos da nossa terra e ver como as barreiras mundiais dos produtos estão sendo quebradas", ela finaliza.

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