A manifestação convocada por Jair Bolsonaro neste domingo (16) em Copacabana, para pedir anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, foi um fracasso de público. Apesar das expectativas do ex-presidente de reunir uma multidão, o evento contou apenas com uma ala mais radical de seus apoiadores, evidenciando sua perda de força política. O contraste entre a baixa adesão e a narrativa bolsonarista de que o "datapovo" reflete sua popularidade escancara a realidade: se a métrica das ruas fosse levada a sério, Bolsonaro teria que admitir que seu prestígio está em declínio. O episódio ocorre em um momento crítico para o ex-mandatário, que pode se tornar réu no STF ainda em março, conforme indicou a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O evento esvaziado também coloca em xeque a tese de que Bolsonaro ainda possui a mesma capacidade de mobilização de antes. Enquanto algumas pesquisas eleitorais o colocam como um nome competitivo para 2026, a manifestação de hoje sugere que sua base de apoio real está cada vez mais restrita ao núcleo mais radical. O ex-presidente, que sempre criticou os institutos de pesquisa e exaltava o apoio popular como seu verdadeiro termômetro, agora vê as ruas lhe darem um veredito amargo. Diante do cerco jurídico se fechando e da dificuldade em manter sua influência, Bolsonaro se vê cada vez mais isolado, com sua popularidade e sua liberdade em risco.
Rio de Janeiro – O ex-presidente Jair Bolsonaro esperava uma multidão lotando a icônica praia de Copacabana neste domingo (16) para pedir anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Mas a realidade foi bem diferente: o evento foi esvaziado e teve participação restrita a uma ala mais radical de seus apoiadores.
O fiasco expôs o enfraquecimento político do ex-mandatário, que, ao que tudo indica, pode se tornar réu ainda este mês no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme apontado na denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A manifestação, vendida como um grande ato popular, estava longe de ter a adesão esperada. Nos tempos áureos, Bolsonaro conseguia reunir milhares de pessoas com facilidade. Agora, mesmo com toda a estrutura montada e a convocação intensa nas redes sociais, o público foi consideravelmente menor do que o esperado pelos organizadores.
Para quem dizia que as pesquisas de intenção de voto mentiam e que a verdadeira pesquisa era o 'datapovo', o ato deste domingo foi uma resposta indigesta: se essa métrica fosse realmente válida, Bolsonaro teria que admitir que sua popularidade despencou.
Fracasso de público e realidade política
A manifestação em Copacabana ocorre em um momento delicado para Bolsonaro. Ele foi denunciado pela tentativa de golpe de Estado pela PGR e o STF julgará o recebimento da denúncia ainda neste mês de março.
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O cerco está se fechando, e os eventos de rua, antes uma demonstração de força, agora parecem apenas ecos de um passado que não se repete.
Em uma comparação curiosa, algumas pesquisas eleitorais ainda colocam Bolsonaro como um nome competitivo para 2026. No entanto, se considerarmos os números da manifestação de hoje como um termômetro real de sua influência, fica evidente que sua base de apoio está se reduzindo ao núcleo mais radical e fiel, sem a mesma capacidade de mobilização de antes.
A expectativa de um 'mar de patriotas' transformou-se em uma marola. Bolsonaro, que costumava zombar das pesquisas eleitorais afirmando que sua força vinha das ruas, agora precisa lidar com o fato de que nem mesmo as ruas estão ao seu lado.
O discurso de perseguição política pode até engajar seus apoiadores mais fanáticos, mas não parece suficiente para recriar o fenômeno eleitoral de outros tempos.
Datapovo
No fim, o 'datapovo' que Bolsonaro tanto exaltava pode ter dado seu veredito: sua popularidade está derretendo. E, se a Justiça seguir seu curso, não será só a popularidade que estará em jogo, mas também sua liberdade, após o devido o processo legal de uma democracia forte como a do Brasil, que não sucumbiu perante os golpistas que conspiraram contra sua existência.
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