06/11/2023 às 13h45min - Atualizada em 06/11/2023 às 13h45min

Justiça proíbe prefeito de São Félix do Xingu de tentar impedir retirada de invasores de terra indígena

João Cléber de Souza é acusado de propagar notícias falsas contra a operação de desintrusão na Terra Indígena Apyterewa, a mais desmatada do Brasil.

Da redação

Reprodução
A Justiça Federal proibiu o prefeito de São Félix do Xingu e qualquer outro servidor do município de tentar impedir ou dificultar o procedimento de retirada de intrusos da Terra Indígena (TI) Apyterewa, no sudeste do Pará.

A decisão, tomada no último dia 24, acolhe pedido do Ministério Público Federal (MPF). Tanto o pedido quanto a decisão registram que João Cléber de Souza Torres tem atuado contra a operação, realizada em cumprimento a sentença judicial.

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O juiz federal Cláudio Cezar Cavalcantes apontou que “está patente” que o prefeito está atuando para impedir ou dificultar o procedimento de desintrusão da TI Apyterewa.

“Ao veicular fake news, João Cléber de Souza demonstra desprezo pelas decisões judiciais e apresenta comportamento violador da boa-fé, padrão de conduta ética que se exige de todo gestor”, destaca o juiz federal na decisão.

Detalhes – A Justiça estabeleceu a aplicação das seguintes medidas ao gestor municipal e a qualquer outro servidor de São Félix do Xingu:

multa de R$ 100 mil a cada vídeo que vier a publicar com conteúdo contrário à operação de desintrusão da TI Apyterewa ou que incentive a população a resistir à operação ou que demonstre estar buscando meios para cessar a operação;

proibição de adentrar à TI Apyterewa durante a execução do plano de desintrusão, sob pena de multa de R$ 100 mil; e

proibição de realizar reunião, seja em qualquer lugar, com a população ou lideranças locais com o objetivo de discutir a legalidade da operação ou resistir à sua execução, sob pena de multa de R$ 100 mil para cada reunião.

A decisão também estabeleceu que essas determinações não impedem a análise posterior do pedido do MPF de afastamento do prefeito do cargo, caso João Cléber de Souza viole as medidas determinadas pela Justiça Federal ou adote outro comportamento para impedir a desintrusão da TI.

O prefeito João Cleber de Souza Torres, após a decisão judicial, posicionou-se por meio de nota. “Alegam que supostamente estaríamos apoiando ocupação irregular, fomentando conflitos e disseminando fake news e, assim, impedindo o cumprimento de mandado judicial exarado em outro processo. […] Reafirmo meu compromisso com todas as instituições e, sobretudo, com o Estado Democrático de Direito, pois através do voto povo de São Félix do Xingu tenho o orgulho e a honra de ser Chefe do Executivo municipal. O que fiz e faço é política para o nosso povo. Não há notícia falsa veiculada. Minhas declarações e atos foram no sentido de fielmente atender ao interesse público”, escreveu o prefeito.

Com informações MPF.

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