01/02/2023 às 16h07min - Atualizada em 01/02/2023 às 16h07min

Projeto de extensão da Unifesspa incentiva o ingresso e permanência de mulheres nas engenharias

Rafael Miyake, estagiário, sob supervisão de Yuri Siqueira

A inclusão no ensino superior brasileiro é uma discussão recorrente no Brasil. O ingresso de populações marginalizadas a cursos e profissões até então elitizados permitiu mudanças não só no próprio ensino superior, como também na compreensão das profissões. E é com isso em mente que um projeto de extensão da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), trabalha o ingresso de mulheres nas engenharias.

 

O projeto “Aplicação de inovações de gênero para estimular ingresso e permanência de mulheres nas engenharias”, criado e coordenado pela professora Marina Weyl Costa, da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unifesspa, visa não só estimular a entrada de mulheres nas engenharias, como também impedir a evasão.

 

“É importante ter um espaço que estimule as meninas a entrarem e as mulheres a continuarem nas engenharias, para a gente saber que esse espaço também é nosso, que a gente também tem direito a ele. Além disso, grupos de mulheres funcionam como rede de apoio”, explicou a professora.

 

“As mulheres são minoria numérica na maior parte das engenharias, e além de entrarem em menor quantidade, elas muitas vezes evadem mais o curso. Segundo o Censo de Educação Superior de 2021, mulheres são 62% das concluintes de ensino superior no Brasil, mas só 30% das concluintes nas Engenharias”, disse.

 

O projeto de extensão busca levar alunas das engenharias até uma escola próxima do campus de Marabá para, em encontros semanais, ensinar a alunas do ensino médio como usar as inovações de gênero, e grupos de alunas serão orientados para desenvolver um projeto a escolha. O projeto pode ser voltado para levar conhecimento tecnológico a um grupo; para tornar uma tecnologia mais acessível; ou para melhorar ou desenvolver uma tecnologia.

 

De acordo com a coordenadora do projeto, diversos fatores sociais levam mulheres a não ocupar espaços que, por direito, seriam delas. “Isso vem desde a infância, onde as meninas são estimuladas a brincarem de casinha enquanto os meninos são estimulados a jogos de montar; passa pela adolescência, onde a menina escuta que "mulher é pior do que homem em matemática", o que é uma enorme mentira; e chega a própria escolha do curso e faculdade, quando muitas vezes a menina já é responsável por tarefas de cuidado em casa e não pode se dedicar totalmente a um curso pesado como engenharia”

 

“A menina não tem nenhum exemplo de engenheira; a mulher que é mãe escuta de professor que tem que escolher entre o curso e o filho; a mulher é a única na sala e acha que tem que ser brilhante para se destacar enquanto os alunos homens podem ser apenas medíocres; a mulher escuta "piadinhas" de cunho machista e sofre assédio quando vai estagiar”, continuou.

 

A inovação tecnológica, segundo a docente, também é amplamente afetada pela falta de diversidade. A ideia é que as alunas que participam do projeto estudem e produzam de forma a pensar sexo e gênero no momento da produção e aplicação de uma tecnologia. “É uma péssima ideia sobrecarregar uma pessoa que faz parte de uma minoria em um projeto colocando-a como a responsável por resolver todas as coisas referentes a minorias. Mas colocar pessoas diversas em um projeto aumenta o leque de ideias, e o ideal é que todo mundo passe por treinamentos para saber pensar em como ser inclusivo”. 

 

“Acredito que o projeto vai unir mulheres da graduação, funcionando como rede de apoio e contatos profissionais para o futuro; e inspirar meninas de ensino médio, ao ver mulheres normais e incríveis cursando engenharia e ver que tecnologia é algo interessante, divertido e útil para a sociedade”, concluiu.

 

O projeto, inicialmente, funcionará apenas na unidade de Marabá, mas a ideia é que, com a iniciativa, docentes de outros campi e universidades possam trabalhar projetos semelhantes. 

 

O projeto de extensão não tem mais vagas abertas para voluntárias, mas deve abrir uma nova chamada. As voluntárias devem ser mulheres cis ou trans vinculadas a algum dos cursos de engenharia e com a formatura prevista para após dezembro de 2023. As candidatas devem ser estudantes da Unifesspa e devem ter disponibilidade para encontros presenciais às terças-feiras. Interessadas devem contatar a professora na universidade ou pelo e-mail [email protected].
 

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