29/04/2022 às 16h07min - Atualizada em 29/04/2022 às 16h07min

Justiça autoriza buscas pelos caçadores desaparecidos em terra indígena Parakanã

Por três dias, familiares e amigos dos desaparecidos interditaram a BR-230.

Mayron Gouvêa

Foto: Divulgação

Desde hoje (29), as buscas pelo trio de caçadores passam a ser feitas pela Polícia Federal e Força Nacional, com auxílio de equipes da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). O juiz federal Heitor Moura Gomes, da Subseção Judiciária de Tucuruí, assinou ordem de busca e apreensão na área da Reserva Indígena Parakanã, em Novo Repartimento, para encontrar os três caçadores que estão desaparecidos dentro da área desde o domingo (24).

Os caçadores, identificados pelos nomes de Cosmo Ribeiro de Sousa “Manel”, José Luís da Silva Teixeira e Willian Santos Câmara entraram sem autorização na reserva indígena Parakanã, na tarde do domingo passado, para caçar e acabaram desaparecendo na mata, cerca de 30 quilômetros da sede do município de Novo Repartimento, no sudeste do Pará.




Na segunda-feira (25), um grupo de familiares e amigos invadiu a área e conseguiu encontrar as motocicletas e objetos dos três homens. Contudo, segundo eles, ao serem identificados, indígenas teriam permitido a entrada de apenas três pessoas na área de mata. O fato teria revoltado as pessoas ligadas ao trio, que acabaram por interditar, na tarde de terça-feira (26), a rodovia Transamazônica (BR-230), para tentar sensibilizar as autoridades a realizar buscas na área.

Interdição

O bloqueio na rodovia iniciou na terça e encerrou na noite de ontem (28). Os manifestantes permitiram apenas a passagem de ambulâncias e carros oficiais. A PRF foi acionada para se deslocar até a Terra Indígena Parakanã, situada na BR-230, km 285 no município de Novo Repartimento (PA) e segue na região.

Durante a interdição, os agentes conseguiram liberar a rodovia por duas vezes, mas os cerca de 50 manifestantes prometeram não deixar o local até que homens da FUNAI comparecessem para auxiliar nas buscas. 

Aldeias Parakanã

Segundo o representante Veró Parakanã, o território Parakanã está situado em dois municípios: Novo Repartimento e Itupiranga, ambas no sudeste paraense. O indígena está em Itupiranga, mas garantiu acompanhar as informações do ocorrido com os irmãos, tanto é que foi ele que fez a tradução em uma reunião por videoconferência, entre lideranças das duas áreas Parakanã e representantes do Ministério Público. “O órgão vem conversando com a gente e nós temos disponibilizado para eles, o que eles vêm pedindo. Com intérprete, a gente repassa as demandas e falas dos procurados às lideranças”, explicou.

O indígena Tyge Parakanã, como é conhecido, informou que apesar de também estar em Itupiranga, esclarece que não é permitido entrar em um território indígena para caçar. “É proibido entrar, e tem até placas avisando. Mesmo assim, os homens entraram”, informou.

Decisão judicial

A ordem de busca e apreensão se estende a toda a área de 325 mil ha da Reserva Parakanã, composta pelas aldeias Paranatinga, O’Ayga, Paranowaona, Itaoenawa, Itaygara, Paranoawe, Paranoita, Paranoa, Maroxewara, Inaxyganga, Itapeyga, Paranoema, Itaygo’a, Inatarona, Xaraira, Xataopawa, Parano’ona e Arawayaga.

Na decisão, foi oficiado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, para deslocar e manter a Força Nacional de Segurança na área das buscas por 15 dias, pelo menos, para evitar conflito. Também o Comando Geral do Corpo de Bombeiros do Estado do Pará foi acionado para atuar nas buscas.

 

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