Uma investigação do Núcleo Investigativo do ICL Notícias, assinada pela jornalista Alice Maciel, revelou que a Bravo Grafeno, empresa da qual Flávio Bolsonaro é sócio, está registrada na mesma sala de pelo menos 16 empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, um dos principais personagens investigados no esquema de descontos ilegais contra aposentados e pensionistas.
A apuração também identificou outra conexão. O endereço está relacionado à Voga Serviços Contábeis, de Alexandre Caetano dos Reis, ex-sócio do Careca do INSS e preso nas investigações. Segundo o ICL, Alexandre também é responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro. Os vínculos revelados levantam questionamentos que precisam ser esclarecidos, embora, isoladamente, não provem participação do senador nas fraudes.
O escândalo do INSS se tornou o maior caso de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas já identificado no país. Foi durante o governo Lula que a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Sem Desconto, em abril de 2025, aprofundando as investigações, realizando prisões e rastreando o patrimônio dos suspeitos envolvidos no esquema.
Ao mesmo tempo, o Governo Federal iniciou o ressarcimento das vítimas, com mais de 4 milhões de beneficiários já atendidos e aproximadamente R$ 2,8 bilhões devolvidos. A União também passou a buscar judicialmente o bloqueio de bens de associações e investigados, para cobrar dos responsáveis os valores desviados e evitar que o prejuízo fique definitivamente com os cofres públicos.
Uma investigação exclusiva do Núcleo Investigativo do ICL Notícias, assinada pela jornalista Alice Maciel, revelou nesta sexta-feira (11) um novo elo empresarial envolvendo o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e personagens investigados no escândalo dos descontos ilegais de aposentados e pensionistas do INSS.
A mesma sala
Segundo o levantamento do ICL, a Bravo Grafeno, empresa de capacetes que tem Flávio Bolsonaro entre seus proprietários e da qual Carlos Bolsonaro também é sócio, está registrada na sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, Brasília. Exatamente no mesmo endereço, a reportagem localizou pelo menos 16 empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pelas investigações como um dos principais operadores financeiros do esquema.
A apuração encontrou ainda outro ponto de ligação. A sala é relacionada à Voga Serviços Contábeis, pertencente a Alexandre Caetano dos Reis, ex-sócio do Careca do INSS e também preso no âmbito das investigações.
De acordo com o ICL, Alexandre é responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro. O e-mail da Voga aparece, inclusive, em notas fiscais emitidas pelo escritório do senador.
O maior escândalo contra aposentados
A dimensão do caso do INSS transformou o esquema no maior escândalo de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas já identificado no país. Milhões de brasileiros tiveram valores retirados de seus benefícios por meio de cobranças associativas que, em inúmeros casos, não haviam sido autorizadas.
As investigações alcançaram entidades, empresários, intermediários e agentes suspeitos de participação em uma estrutura que movimentou cifras bilionárias.
É importante lembrar um dado que muitas vezes desaparece do debate político: foi durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o esquema foi desarticulado pelas instituições federais.
Em abril de 2025, Polícia Federal e Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Sem Desconto, que revelou a dimensão nacional das irregularidades. A investigação avançou, suspeitos foram presos e novas fases da operação passaram a seguir o caminho do dinheiro e do patrimônio dos investigados.
Governo ressarciu aposentados e cobra responsáveis
Depois da descoberta da fraude, o Governo Federal criou um sistema para devolver diretamente aos aposentados e pensionistas os valores retirados irregularmente. Mais de 4 milhões de beneficiários já haviam sido ressarcidos, com aproximadamente R$ 2,8 bilhões devolvidos.
Em janeiro de 2026, nova legislação também passou a assegurar expressamente a devolução integral dos descontos indevidos e ampliou mecanismos para o bloqueio de patrimônio relacionado às fraudes.
Ao mesmo tempo, a Advocacia-Geral da União passou a buscar judicialmente o patrimônio das entidades e responsáveis pelo esquema. Entre as medidas adotadas está o pedido de bloqueio de R$ 2,56 bilhões em bens de associações e dirigentes investigados, justamente para impedir que o prejuízo causado pela fraude permaneça definitivamente com os cofres públicos.
A lógica é clara: o aposentado não pode esperar pelo fim de processos que podem durar anos para receber seu dinheiro, mas quem causou o dano deve responder patrimonialmente por ele.
O que a revelação precisa esclarecer
A descoberta de que uma empresa pertencente a Flávio Bolsonaro ocupa o mesmo endereço cadastral de pelo menos 16 empresas ligadas ao Careca do INSS não permite, isoladamente, concluir que o senador tenha participado das fraudes. Essa distinção é fundamental. Flávio já negou qualquer envolvimento no escândalo, e o espaço deve permanecer aberto para que apresente seus esclarecimentos.
Mas a coincidência de endereço, somada ao compartilhamento de estrutura contábil e à presença de pessoas investigadas nas relações empresariais identificadas pelo ICL, torna legítima uma pergunta de interesse público ainda maior em ano eleitoral: qual é exatamente a relação entre essas empresas, seus responsáveis e a estrutura empresarial utilizada pelo Careca do INSS?
A questão ganha peso adicional porque Flávio Bolsonaro disputa a Presidência da República. O eleitor tem direito de conhecer, antes de votar, todos os fatos relevantes envolvendo candidatos ao cargo mais importante do país. Investigar e esclarecer essas conexões não significa antecipar culpa. Significa permitir que a sociedade tenha acesso aos fatos, às respostas dos envolvidos e às conclusões das autoridades competentes.
Crédito da apuração original: ICL Notícias, Núcleo Investigativo, reportagem de Alice Maciel.
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