R$ 134 milhões, Vorcaro e contas não reveladas: o negócio que Flávio Bolsonaro ainda precisa explicar

Candidato negociou milhões com empresário no centro do caso Master e não tornou pública a prestação de contas que prometeu em 30 dias.

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O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro está no centro de questionamentos sobre sua relação com Daniel Vorcaro, empresário ligado ao escândalo do Banco Master. Áudios, mensagens e documentos divulgados pelo The Intercept Brasil apontam que Flávio negociou com Vorcaro aproximadamente R$ 134 milhões para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Desse montante, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos.

Após a divulgação do caso, Flávio anunciou em 19 de maio que havia solicitado à produtora uma prestação de contas detalhada e estabeleceu prazo de 30 dias. O prazo terminou em junho, mas o detalhamento prometido não foi tornado público. Em agosto, questionado novamente, o senador afirmou que a prestação de contas já teria sido realizada e chamou o episódio de “página virada”, sem apresentar publicamente os valores recebidos, as despesas realizadas e o destino dos recursos.

O episódio ganha ainda mais relevância diante da dimensão do caso Banco Master, que envolve bilhões de reais e exposição de instituições e fundos públicos. Enquanto Flávio tenta direcionar cobranças ao presidente Lula, permanece uma questão diretamente relacionada à sua própria atuação: onde está a prestação de contas completa dos recursos destinados ao filme de Jair Bolsonaro? O financiamento segue sob investigação, com a Polícia Federal autorizada pelo STF a apurar cerca de R$ 61 milhões atribuídos a Vorcaro.

O caso Banco Master é apontado como possivelmente o maior escândalo financeiro da história do Brasil, com cifras que podem superar R$ 60 bilhões e ramificações envolvendo instituições financeiras, agentes políticos e recursos públicos.

Uma auditoria citada pela imprensa apontou operações de R$ 21,9 bilhões entre o Master e o BRB, banco controlado pelo Distrito Federal, sendo R$ 12,3 bilhões com indícios de irregularidades. Fundos previdenciários públicos também ficaram expostos: somente os do Rio de Janeiro e do Amapá aplicaram cerca de R$ 970 milhões e R$ 400 milhões, respectivamente, no Master.

Escute o áudio que Flávio Bolsonaro mandou para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro:

É nesse contexto que ganha importância a relação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.

Em maio, o The Intercept Brasil revelou áudios, mensagens e documentos segundo os quais Flávio Bolsonaro negociou diretamente com o banqueiro um financiamento previsto em aproximadamente US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, para Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro

Segundo a reportagem, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido efetivamente transferidos.

Por isso, vale a pena ouvir de novo o áudio que acompanha esta matéria.

Depois da revelação, em 19 de maio, Flávio Bolsonaro anunciou que havia pedido à produtora do filme uma prestação de contas sobre o uso e o destino dos recursos e estabeleceu prazo de 30 dias. Disse ainda que o procedimento deveria ocorrer “de forma transparente”.

O prazo acabou em junho. Mais de três meses depois, porém, o detalhamento prometido continua sem ser apresentado publicamente.

Questionado pela CNN em 20 de agosto, Flávio afirmou que a prestação de contas já havia sido feita e classificou o caso como “página virada”, mas não apresentou os valores recebidos, os gastos realizados nem o destino dos recursos

A própria CNN registra que a estratégia da campanha tem sido sustentar que a prestação existe, embora não tenha sido tornada pública.

Na mesma resposta, Flávio desviou a cobrança para o presidente Lula, afirmando que “quem tem que prestar contas é o Lula”, tentando fazer uma correlação entre Lula e a prestação de contas do filme, o que não faz o menor sentido.

Lula não tem o dever de prestar contas sobre um patrocínio milionário de Daniel Vorcaro para o filme de Jair Bolsonaro. Quem foi pego numa gravação mandando áudio para o whatsapp de Vorcaro foi o próprio senador Flávio Bolsonaro, e não o Lula, defende um apoiador do presidente nas redes sociais. 

Foi Flávio Bolsonaro quem anunciou a prestação de contas do filme. Foi o próprio candidato quem estabeleceu o prazo de 30 dias. E foram diálogos envolvendo Flávio e Vorcaro que revelaram a negociação dos recursos para Dark Horse.

Portanto, cobrar explicações de Lula pode fazer parte da disputa política, mas não elimina a obrigação de esclarecer aquilo que o próprio senador prometeu tornar transparente.

E o assunto está longe de ser apenas uma disputa eleitoral.

O financiamento de Dark Horse continua sob investigação: a Polícia Federal foi autorizada pelo STF a apurar cerca de R$ 61 milhões atribuídos a Vorcaro, inclusive para verificar a origem dos recursos, seu destino e eventual contrapartida relacionada ao senador.

Em um escândalo financeiro dessa dimensão, envolvendo dezenas de bilhões de reais e recursos de instituições públicas, a pergunta permanece simples: onde está a prestação de contas completa que Flávio Bolsonaro prometeu apresentar?

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