Fernando Cerimedo, consultor político argentino próximo da família Bolsonaro e ex-estrategista da campanha de Javier Milei, teve a prisão preventiva decretada por 180 dias na Bolívia. Ele é investigado por tentativa de feminicídio contra Nadia Beller, sua ex-companheira, baleada em Santa Cruz de la Sierra. Cerimedo nega as acusações.
No Brasil, Cerimedo ficou conhecido pela atuação contra o sistema eletrônico de votação. Após a eleição de 2022, divulgou falsas alegações de fraude e, em julho de 2026, voltou a aparecer ao lado de Eduardo Bolsonaro repetindo acusações sem provas contra as urnas.
Na Argentina, Cerimedo participou da estratégia digital da campanha presidencial de Javier Milei em 2023 e fundou o La Derecha Diario, veículo alinhado ao movimento libertário. O governo argentino afirma que Milei rompeu com o consultor ainda naquele ano.
Nadia Beller acusa Cerimedo de ter ordenado o atentado para silenciá-la e relata episódios anteriores de violência física. A investigação também apura mensagens encontradas no celular do argentino e outras suspeitas levantadas pela ex-companheira. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça.
Fernando Cerimedo, consultor político argentino próximo da família Bolsonaro e ex-estrategista da campanha de Javier Milei, teve a prisão preventiva decretada nesta sexta-feira (21) pela Justiça boliviana.
Ele ficará detido por 180 dias no presídio de Palmasola, em Santa Cruz de la Sierra, enquanto é investigado por tentativa de feminicídio contra a advogada e ativista Nadia Beller, sua ex-companheira. Cerimedo nega as acusações e ainda não foi condenado.
Veja vídeo:
Relação com Eduardo Bolsonaro
Cerimedo ganhou notoriedade no Brasil após participar da campanha de desinformação contra as urnas eletrônicas. Em 2022, seu veículo, o La Derecha Diario, recebeu R$ 3,9 mil da campanha de Eduardo Bolsonaro por serviços de divulgação.
Poucos dias após a derrota de Jair Bolsonaro, Cerimedo transmitiu o vídeo “Brazil Was Stolen”, no qual apresentou alegações falsas de fraude nas eleições. O conteúdo foi desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas alcançou centenas de milhares de pessoas no ambiente bolsonarista.
Em 23 de julho de 2026, Eduardo Bolsonaro voltou a transmitir ao lado do argentino. Na ocasião, os dois repetiram acusações sem provas contra o sistema eleitoral e afirmaram ter “encontrado a fraude” de 2022. Cerimedo chegou a dizer que seria possível alterar uma eleição adulterando apenas entre 5% e 10% das urnas.
O argentino também foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito sobre a tentativa de golpe, embora não tenha sido incluído na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.
Atuação com Milei
Na Argentina, Cerimedo participou da estratégia digital da campanha que levou Javier Milei à Presidência em 2023. Ele também fundou o La Derecha Diario, veículo alinhado ao movimento libertário.
O governo argentino afirma que Milei rompeu com Cerimedo ainda em 2023 e que ele não ocupa cargo oficial. Mesmo assim, sua participação na campanha e sua influência na comunicação digital do movimento são reconhecidas.
Acusações da ex-companheira
Nadia Beller foi baleada em 17 de agosto, perto de um hotel em Santa Cruz de la Sierra. Após o ataque, ela acusou Cerimedo de ordenar o crime para silenciá-la. Segundo Beller, ela teria informações sobre negócios e supostos esquemas de corrupção ligados ao consultor.
A advogada também afirma ter sofrido agressões físicas anteriores, incluindo uma tentativa de estrangulamento. Em buscas realizadas durante a investigação, a Promotoria boliviana encontrou mais de US$ 40 mil e mensagens no celular de Cerimedo nas quais aparece a possibilidade de “eliminar” Nadia.
A defesa nega as acusações e chegou a afirmar que o atentado poderia ter sido encenado. As denúncias ainda serão analisadas pela Justiça.
Os vínculos políticos
A investigação definirá se Cerimedo é responsável pelo atentado. A presunção de inocência deve ser respeitada.
Mas sua prisão recoloca em debate a proximidade entre o consultor e setores da direita latino-americana. Durante anos, Cerimedo atuou ao lado de figuras ligadas a Bolsonaro e Milei, especialmente na produção de campanhas digitais e na disseminação de acusações contra sistemas eleitorais.
Essas relações não tornam os políticos responsáveis pelos crimes dos quais Cerimedo é acusado. Mas levantam uma questão: por que operadores especializados em desinformação e ataques à democracia encontram espaço tão próximo de lideranças políticas relevantes?