A imagem de Flávio Bolsonaro ao lado de Donald Trump, dentro do Salão Oval, talvez diga mais sobre a campanha presidencial de 2026 do que muitos discursos. Enquanto posa em pé, quase imóvel, atrás da mesa presidencial norte-americana, Trump aparece sentado, confortável, ocupando naturalmente o centro da cena. E aí está o detalhe político da fotografia: ela transmite menos liderança e mais submissão simbólica.
O problema é que política também é percepção. E, nesse caso, a percepção parece ter saído pela culatra.
A viagem aos Estados Unidos ocorreu justamente no momento em que Flávio tenta atravessar a turbulência causada pelo áudio revelado pelo The Intercept envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O episódio ainda produz desgaste e promete continuar produzindo ao longo da campanha. Em vez de reduzir o impacto da crise, a fotografia acabou abrindo outra frente de desgaste, agora no campo da imagem pública.
A tentativa aparente era clara: aproximar Flávio da figura de Trump, buscando repetir no Brasil a estética política da direita americana. Mas existe um detalhe que o marketing parece não ter percebido. Trump não recebeu Flávio como chefe de Estado, nem como aliado estratégico internacional. Recebeu como alguém interessado em demonstrar proximidade política. E isso muda completamente o peso da imagem.
A comparação com Lula se tornou inevitável nas redes sociais. Quando o presidente brasileiro esteve nos Estados Unidos em agenda oficial, houve cerimônia diplomática, protocolo de Estado e recepção institucional com direito a tapete vermelho. Já Flávio aparece numa fotografia quase protocolar de visitação política, com um sorriso visivelmente desconfortável, daqueles que parecem mais obrigação do que convicção.
E há um componente ainda mais delicado nisso tudo: o nacionalismo seletivo.
Parte do eleitorado conservador brasileiro costuma reagir duramente quando políticos brasileiros demonstram alinhamento automático a governos estrangeiros, principalmente em temas ligados à soberania nacional. Só que a fotografia no Salão Oval transmite exatamente essa sensação de dependência política e simbólica. Para um candidato que pretende se apresentar como líder de uma potência regional, a imagem de “apadrinhado internacional” talvez não seja o melhor cartão de visitas.
No fim, a foto que deveria passar força acabou reforçando fragilidade. Tentando fugir do desgaste interno provocado pelo caso Master, Flávio Bolsonaro acabou produzindo uma nova crise de percepção. E em campanha presidencial, muitas vezes uma imagem mal calculada fala mais alto do que horas de discurso.
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