Belém entre os piores do Brasil em saneamento às vésperas da COP 30

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Apesar de estar prestes a sediar a COP 30 — uma das maiores conferências globais sobre sustentabilidade Belém foi apontada pelo Instituto Trata Brasil como uma das 20 piores cidades do país em saneamento básico. Além da capital, outras duas cidades paraenses — Santarém e Ananindeua — também figuram na parte mais crítica do ranking, que analisa os 100 municípios mais populosos do Brasil.

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O levantamento, publicado anualmente pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, traz dados preocupantes para o Pará. Belém ocupa a 94ª posição em coleta de esgoto, com cobertura de apenas 19,34% da população. No indicador de perdas na distribuição de água, a situação é ainda mais alarmante: a capital perde 61,91% da água antes de chegar às residências — ficando entre os piores desempenhos do país.

Já Santarém amarga o último lugar no índice de coleta de esgoto, com somente 3,77% de cobertura, enquanto Ananindeua, terceira cidade do estado entre as 20 piores, também aparece entre os menores investimentos per capita em saneamento, com R$ 46,51 por habitante ao ano — valor muito abaixo do ideal estipulado pelo Plano Nacional de Saneamento Básico, que é de R$ 223,82.

O paradoxo da capital da COP 30

A escolha de Belém como sede da COP 30 traz uma oportunidade única: colocar o Norte do Brasil no centro das discussões globais sobre meio ambiente e justiça social. No entanto, os dados do ranking escancaram uma realidade que não pode ser ignorada: a capital paraense ainda convive com indicadores alarmantes de saneamento básico.

Longe de ser um impeditivo, esse cenário reforça a importância de que a COP 30 aconteça justamente aqui — onde os desafios são reais, urgentes e visíveis. Mostrar essa realidade ao mundo é um passo essencial para mobilizar investimentos, cobrar políticas públicas efetivas e exigir equidade na infraestrutura urbana.

O relatório do Instituto Trata Brasil aponta que, enquanto os 20 melhores municípios investem em média R$ 176,39 por habitante, os 20 piores — entre eles Belém, Santarém e Ananindeua — aplicam menos da metade disso: R$ 78,40 por pessoa. A universalização do saneamento exige, no mínimo, R$ 223,82 por habitante/ano.

Sustentabilidade começa com o básico

A COP 30 representa uma vitrine internacional, mas não pode ser apenas palco de discursos. A presença de Belém no ranking dos piores do país é um sinal claro de que não há sustentabilidade sem acesso universal a serviços essenciais, como água potável e esgoto tratado.

O Instituto Trata Brasil reforça que o saneamento deve estar no centro das políticas públicas e ser tratado como prioridade nacional. Não apenas por questões de saúde e dignidade, mas porque só é possível falar em futuro verde quando o presente garante o mínimo para a sobrevivência.

A COP 30 não deve esconder essa realidade — ela deve escancarar, debater e transformar.

Fonte: Trata Brasil

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