Indígenas mantêm bloqueio ao terminal da Cargill em Santarém em protesto contra dragagem no rio Tapajós

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Indígenas mantêm bloqueio ao terminal da Cargill em Santarém em protesto contra dragagem no rio Tapajós
Terminal portuário da Cargill em Santarém é estratégico para o escoamento de grãos no Pará.
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Indígenas de ao menos 14 povos do Baixo e Médio Tapajós mantêm, desde 22 de janeiro, um bloqueio no acesso rodoviário ao terminal da Cargill em Santarém, no oeste do Pará. A manifestação impede o tráfego de caminhões que escoam grãos e é um protesto contra medidas do governo federal que autorizam a dragagem e a concessão do rio Tapajós sem consulta prévia às comunidades tradicionais da região.

As lideranças indígenas alegam que as intervenções colocam em risco o meio ambiente, territórios tradicionais e o modo de vida local, e exigem a suspensão dos projetos e a abertura de diálogo com o poder público. A Cargill informou que suas operações internas não foram ocupadas, mas confirmou que o acesso ao terminal segue bloqueado. O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre infraestrutura, direitos indígenas e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Um bloqueio mantido por povos indígenas há mais de uma semana impede o tráfego de caminhões no terminal portuário da Cargill em Santarém, no oeste do Pará. A mobilização protesta contra medidas do governo federal que autorizam a dragagem e a concessão do Rio Tapajós, sem consulta prévia às comunidades tradicionais da região.

Desde o dia 22 de janeiro, indígenas de pelo menos 14 povos do Baixo e Médio Tapajós bloqueiam o acesso rodoviário ao terminal, utilizado para o escoamento de grãos como soja e milho. Segundo os manifestantes, o objetivo é pressionar pela suspensão de decretos e projetos que, na avaliação das lideranças, colocam em risco o meio ambiente, territórios tradicionais e sítios arqueológicos da bacia do Tapajós.

Protesto e reivindicações

As lideranças indígenas afirmam que não houve consulta livre, prévia e informada, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), antes da edição de normas que viabilizam a dragagem do rio e a ampliação da navegação comercial. O receio é que as intervenções causem impactos irreversíveis ao ecossistema, à pesca artesanal e ao modo de vida das comunidades ribeirinhas e indígenas.

Além da suspensão imediata das medidas relacionadas à dragagem, os manifestantes cobram a abertura de diálogo com órgãos federais, ambientais e de controle, para discutir alternativas de desenvolvimento que conciliem infraestrutura logística e proteção socioambiental.

Impacto econômico e posicionamento da empresa

O bloqueio tem afetado a logística do agronegócio na região, uma vez que o terminal da Cargill em Santarém é considerado estratégico para o escoamento da produção do Centro-Oeste e do Norte do país. Em nota, a empresa informou que suas operações internas não foram ocupadas, mas confirmou que o acesso de caminhões ao porto segue interrompido em razão da manifestação.

A multinacional destacou ainda que acompanha a situação e reforçou seu compromisso com o diálogo institucional e o cumprimento da legislação ambiental brasileira.

Repercussão política e institucional

O bloqueio em Santarém ganhou repercussão nacional e internacional, ampliando o debate sobre a expansão da infraestrutura logística na Amazônia e os limites entre desenvolvimento econômico e direitos dos povos tradicionais. Parlamentares, entidades ambientais e organizações indígenas passaram a pressionar o governo federal por esclarecimentos sobre os projetos previstos para o rio Tapajós.

Até o momento, não há previsão oficial para a liberação do acesso ao terminal. As lideranças indígenas afirmam que o bloqueio será mantido até que haja uma resposta concreta do poder público e a abertura de negociações formais.

O caso segue sendo acompanhado por autoridades locais, órgãos federais e pelo setor produtivo, em meio a um cenário de tensão que evidencia os desafios da política ambiental e de infraestrutura no Pará.

 

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