A Comissão Eleitoral da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (COOMIGASP) passou a funcionar em uma barraca improvisada instalada em frente à sede da cooperativa após grupo de pessoas ocupar de forma permanente o prédio da sede em Curionópolis, no sudeste do Pará.
A situação ocorre em meio ao processo eleitoral convocado para definir a nova diretoria da entidade e evidencia o agravamento da crise institucional envolvendo uma das cooperativas mais emblemáticas da história do garimpo brasileiro.
Segundo informações ligadas à atual administração da cooperativa, o grupo que permanece dentro do imóvel continua resistindo ao cumprimento das decisões judiciais que reconheceram a legitimidade da presidente Deuzita Rodrigues da Cruz Viana para conduzir a administração da entidade e organizar novas eleições internas.
Enquanto a sede da cooperativa segue ocupada, integrantes da Comissão Eleitoral passaram a realizar atendimento aos cooperados, recebimento de documentos, organização das chapas e demais atividades relacionadas às eleições em uma estrutura improvisada montada do lado de fora do prédio, com o objetivo de cumprir as regras do estatuto.
O ambiente no local é descrito como tenso. Segundo integrantes ligados à Comissão Eleitoral, há relatos de intimidações, ameaças e tentativas constantes de inviabilizar o andamento do processo eleitoral da cooperativa.
Eleições foram convocadas após decisões judiciais
A Assembleia Geral Extraordinária da COOMIGASP está marcada para os dias 13 e 14 de junho de 2026 e irá definir a eleição do novo Conselho de Administração e do Conselho Fiscal da cooperativa.
O edital de convocação foi publicado em 30 de abril de 2026 e assinado por Deuzita Rodrigues da Cruz Viana, na condição de presidente reconhecida judicialmente pelo Tribunal de Justiça do Pará.
Segundo o documento, o processo eleitoral ocorrerá em modalidade semipresencial, com votação online marcada para o dia 13 de junho e votação presencial no dia 14 de junho, em Curionópolis.
A convocação das eleições ocorreu após decisões judiciais que reconheceram a necessidade de realização de um novo processo eleitoral em conformidade com o Estatuto Social da cooperativa e com a legislação cooperativista.
O edital também estabelece que a Comissão Eleitoral possui competência exclusiva para coordenar o processo eleitoral, incluindo habilitação de candidatos, validação da lista de cooperados aptos a votar e acompanhamento da votação.
Mesmo diante das determinações judiciais relacionadas à reorganização institucional da cooperativa, a atual administração afirma enfrentar obstáculos contínuos para exercer plenamente suas funções dentro da sede da entidade.
Ocupantes seguem dentro da sede da cooperativa
Entre os principais problemas apontados pela atual gestão estão a permanência de pessoas ligadas ao grupo ocupante dentro do imóvel, dificuldades de acesso a documentos administrativos e resistência à condução das atividades necessárias para organização das eleições internas.
Segundo informações relacionadas ao conflito, integrantes do grupo que permanece ocupando a sede da cooperativa teriam participado de reuniões administrativas realizadas dentro do próprio imóvel ao longo deste ano, deliberando sobre funcionamento administrativo e criação de estruturas paralelas de coordenação dentro da entidade.
A atual administração sustenta que a permanência do grupo dentro da sede continua dificultando o cumprimento das decisões judiciais relacionadas à reorganização institucional da cooperativa e à realização do novo processo eleitoral.
Crise gera preocupação entre cooperados
Nos bastidores, cooperados demonstram preocupação crescente com o agravamento da crise institucional e os impactos sobre o futuro da entidade.
A COOMIGASP é considerada uma das instituições mais simbólicas da história de Serra Pelada e possui forte relevância social para trabalhadores ligados historicamente ao garimpo da região.
Diante do atual cenário, o processo eleitoral passou a representar uma tentativa de restabelecimento da normalidade institucional da cooperativa em meio ao ambiente de tensão e descumprimento das decisões judiciais.
A expectativa da atual gestão é que as eleições marcadas para junho permitam que os próprios cooperados decidam democraticamente os rumos da entidade.
Enquanto os ocupantes seguem na sede da cooperativa, a comissão eleitoral tenta manter o funcionamento do processo democrático do lado de fora do prédio.
A imagem da comissão eleitoral funcionando em uma barraca improvisada em frente à sede da própria entidade tornou-se um dos retratos mais emblemáticos da atual crise vivida pela COOMIGASP em Serra Pelada.
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