Especialistas apontam restrições em edital para serviços de poços artesianos em Centro Novo do Maranhão

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O Observatório de Licitações do Jornal Pará analisou o edital do Pregão Eletrônico SRP n. 022/2025 do Governo municipal de Centro Novo do Maranhão, que visa o registro de preços para serviços de limpeza, controle de potabilidade e análises laboratoriais de água em poços artesianos. A avaliação técnica identificou pontos que podem comprometer a legalidade e a competitividade do certame, como a limitação do prazo para impugnações apenas até às 12h do último dia permitido e a exigência de envio de propostas até às 17h do dia anterior à sessão pública — medidas que, segundo os especialistas, reduzem a participação e não encontram respaldo na Lei n. 14.133/2021. Também foram questionadas exigências como alvará de funcionamento com validade até o final de 2025 e declaração de localização e funcionamento, além da restrição à participação de empresas locais e do prazo exíguo de cinco dias para início da execução contratual.

Para os consultores, a soma dessas exigências e prazos restritivos pode afastar concorrentes, impedindo a obtenção da proposta mais vantajosa para a Administração Pública. A recomendação é que o edital seja revisto para ampliar prazos, eliminar requisitos sem amparo legal e garantir maior competitividade e isonomia. O Observatório continuará acompanhando o caso, buscando posicionamento do Governo municipal e manifestação do Ministério Público. Embora o Jornal Pará tenha foco editorial nas questões do Estado do Pará, o Observatório atua em âmbito nacional, analisando licitações de todo o país e promovendo transparência e controle social sobre os gastos públicos.

O Observatório da Licitação reuniu especialistas em compras públicas para avaliar o edital do Pregão Eletrônico SRP n. 022/2025 da Prefeitura de Centro Novo do Maranhão, que prevê o registro de preços para contratação de serviços de limpeza, controle de potabilidade e análises laboratoriais de água em poços artesianos.

A Secretaria Municipal responsável pela licitação é a Secretaria Municipal de Administração, Comércio, Indústria, Finanças e Desenvolvimento Urbano.

Da limitação de prazo para impugnar e pedir esclarecimentos

Após a análise, foram identificados pontos que, segundo os consultores, podem comprometer a legalidade e a competitividade do processo. Entre eles está a limitação do prazo para apresentação de impugnações, fixada apenas até às 12h do último dia permitido.

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 Conforme ressaltam os especialistas, a Lei n. 14.133/2021 trata o prazo em dias úteis, sem restringir horários, e a jurisprudência em licitações eletrônicas admite o protocolo até as 23h59 do dia final.

Da limitação de prazo para apresentar documentação

Outro aspecto questionado é o encerramento do prazo para envio de propostas às 17h do dia anterior à abertura da sessão pública, medida que, na avaliação técnica, reduz a possibilidade de participação e não apresenta justificativa administrativa ou técnica.

Do pedido de alvarás com data específica

Também foi considerada excessiva a exigência de apresentação de alvará de funcionamento com validade até o final de 2025, visto que, em muitos municípios, a renovação é anual. A obrigatoriedade de uma declaração de localização e funcionamento foi igualmente apontada como requisito sem amparo legal, já que não consta como exigência nas normas gerais de licitação.

A análise destaca ainda a restrição de participação a empresas locais, classificada como medida discriminatória e sem base técnica, pois não há elementos que demonstrem que empresas de outras regiões não possam executar o contrato. Por fim, o prazo de apenas cinco dias para início da execução foi considerado exíguo, podendo inviabilizar a participação de empresas sediadas fora do município.

Para os especialistas, a soma desses fatores pode reduzir significativamente o número de concorrentes e limitar a obtenção da proposta mais vantajosa para a administração pública. A recomendação é de que o edital seja revisto, ampliando prazos e eliminando exigências sem respaldo legal, para assegurar maior competitividade e isonomia entre os licitantes.

O Observatório de Licitações continuará acompanhando o referido processo licitatório e buscará o posicionamento da Administração Pública municipal, assim como a manifestação do Ministério Público e informará e novas matérias serão publicadas.

O Observatório de Licitações do Jornal Pará tem como objetivo acompanhar, analisar e divulgar informações relevantes sobre processos licitatórios e contratações públicas, identificando boas práticas, possíveis irregularidades e oportunidades de melhoria.

Embora o Jornal Pará mantenha sua ênfase editorial nas questões que envolvem o Estado do Pará, as análises e conteúdos produzidos pelo Observatório possuem abrangência nacional, contemplando licitações realizadas em todo o país, de forma a promover maior transparência e controle social sobre os gastos públicos.