Marabá: Defensoria faz mutirão para reconhecimento de paternidade
Entidade tem apoio do Ministério Público Estadual e de um cartório da cidade. Há cerca de cinco mil crianças e adolescentes matriculados na rede pública sem o nome do pai em suas certidões de nascimento.
Ascom DPE
Nesta quinta e sexta-feira, dias 10 e 11 de agosto, a Defensoria Pública em Marabá realiza o projeto “Minha certidão, minha cidadania: Pai legal”, que visa preencher um espaço vazio na Certidão de Nascimento ou Identidade de marabaenses, além de proporcionar um caminho mais acessível para os pais que desejam reconhecer voluntariamente a paternidade de seus filhos.
A ação está sendo realizada em duas escolas. Hoje, quinta-feira, o evento ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Inácio de Souza Mota, localizada no Km 7 do núcleo Nova Marabá, das 9 horas ao meio dia. Já amanhã, sexta-feira, será das 9h às 17h, na Escola Professor José Flávio Alves de Lima, no bairro Araguaia.
Canaã dos Carajás passa por momentos de tensão em crise habitacionalA principal proposta da ação é tornar mais acessível o processo de reconhecimento de paternidade, especialmente em casos onde não é necessária a realização de um exame de DNA. Para os pais que desejam reconhecer espontaneamente a paternidade e inserir o nome na certidão do filho, o procedimento será simplificado e gratuito. A expectativa é atender aproximadamente 100 casos em cada um dos dias da ação.
No entanto, para aqueles que possuem dúvidas ou necessitam de mais confirmação, a opção de realizar um exame de DNA estará disponível. Isso permitirá que o processo seja conduzido de maneira transparente e justa, visando ao bem-estar das crianças, adolescentes e adultos envolvidos.
José Erikson, coordenador da Defensoria Pública de Marabá, destacou a importância do projeto: “Esse é um serviço que, em resumo, oferece para os pais que quiserem reconhecer voluntariamente a paternidade, o serviço para fazê-lo. O cartório vai estar lá, será já providenciado o registro da criança, já com o nome do pai, de forma gratuita, na hora”.
Ele reitera que o pai que comparece, mas tem dúvida, poderá realizar gratuitamente a coleta do material biológico para fazer o exame de DNA. Algo que, normalmente, além de demandar tempo, também tem um preço que, muitas vezes, não é acessível.
O coordenador ressalta que o serviço também estará disponível para os pais que comparecerem dispostos a se submeterem ao exame para tirar a dúvida e, consequentemente, assumirem a responsabilidade.
Em último caso, os pais que estiverem se eximindo de suas responsabilidades paternas, a Defensoria entrará com o serviço de ajuizamento das ações cabíveis contra este indivíduo: “Estamos falando de responsabilidade, seja no que diz respeito ao reconhecimento e paternidade, seja no que diz respeito à obrigação de contribuir com o sustento dessa criança”, pontua.
O projeto foi idealizado pelo defensor Público Francelino Silva, em resposta a uma preocupação relevante. Segundo informações da Secretaria Municipal de Educação, cerca de cinco mil crianças e adolescentes matriculados na rede pública de ensino de Marabá possuem apenas o nome da mãe em suas certidões de nascimento. Isso acarreta uma série de desafios e implicações legais.
A ação busca reduzir esse quadro alarmante de sub-registro, oferecendo uma solução prática para a inclusão do nome do pai nas certidões.
Para finalizar, José Erikson ressalta, ainda, que essa é uma responsabilidade que tem sido assumida praticamente sozinha pelas mães, que têm que trabalhar fora e ainda precisam sustentar o filho, enquanto essas crianças têm um pai que não está assumindo a devida responsabilidade.”
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