Trump derrete nas pesquisas enquanto tarifas e conflitos pesam no bolso dos americanos

Aprovação do presidente dos Estados Unidos cai para 35%, desaprovação alcança 63% e republicanos perdem terreno no debate econômico

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Donald Trump enfrenta forte queda de popularidade nos Estados Unidos. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 3 de agosto mostra que apenas 35% dos norte-americanos aprovam seu governo, enquanto 63% desaprovam sua atuação. Desde o início do segundo mandato, sua aprovação caiu de 47% para o nível atual.

O desgaste também atingiu a economia, área tradicionalmente favorável aos republicanos. Pela primeira vez em quase uma década, os democratas aparecem ligeiramente à frente na confiança dos eleitores para administrar o setor, com 37%, contra 36% dos republicanos.

A política tarifária de Trump ajuda a ampliar a insatisfação. As medidas aumentam custos, afetam empresas e pressionam o orçamento das famílias. O Brasil também foi atingido por novas tarifas, numa ofensiva que se mistura à proximidade política entre Trump e a família Bolsonaro.

A atuação de aliados de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos, em defesa de sanções e pressões contra autoridades brasileiras, levanta um problema de soberania. Disputas políticas internas não podem servir de justificativa para medidas estrangeiras capazes de prejudicar trabalhadores, empresas e a economia nacional.

Donald Trump chegou a agosto em forte queda de popularidade.

Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira, 3 de agosto, mostra que apenas 35% dos norte-americanos aprovam seu governo, enquanto 63% desaprovam sua atuação.

O índice positivo caiu dois pontos em relação ao levantamento anterior e está a apenas um ponto do pior resultado registrado durante o segundo mandato.

Desde que retornou à Casa Branca, Trump viu sua aprovação despencar de 47% para os atuais 35%. A distância entre a imagem de força vendida pelo presidente e a avaliação feita pela população está ficando cada vez maior.

O desgaste atinge justamente a área que o republicano sempre apresentou como sua principal credencial: a economia. Pela primeira vez em quase uma década, os democratas ultrapassaram os republicanos na confiança dos eleitores para administrar o setor. A pesquisa mostra 37% de preferência pelos democratas e 36% pelos republicanos.

A diferença é pequena, mas revela uma mudança importante. Durante anos, a economia foi o terreno mais favorável aos republicanos. Agora, conflitos externos, aumento do custo de vida e instabilidade comercial começam a corroer essa vantagem.

O custo da política tarifária

Trump transformou as tarifas comerciais em instrumento de intimidação política. Em vez de utilizá-las de forma planejada e negociada, passou a ameaçar países e governos que não se submetem às suas posições.

O problema é que as tarifas não atingem apenas governos. Elas aumentam custos, afetam empresas, prejudicam exportações e podem chegar ao consumidor. A retórica agressiva pode render aplausos em comícios, mas a conta aparece no supermercado, no posto de gasolina e no orçamento das famílias.

O Brasil também foi atingido por essa política. Em julho, o governo Trump impôs tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, ampliando a pressão sobre setores produtivos e exportadores nacionais.

A ofensiva comercial não pode ser separada da proximidade política entre Trump e a família Bolsonaro. Em momentos anteriores, o presidente norte-americano chegou a vincular medidas contra o Brasil ao processo judicial enfrentado por Jair Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro também atuou nos Estados Unidos em defesa de sanções e pressões contra autoridades brasileiras. Na prática, uma disputa política interna passou a ser tratada por seus aliados como justificativa para medidas capazes de prejudicar empresas, trabalhadores e a economia nacional.

Soberania não pode depender de conveniência eleitoral

Nenhum projeto político brasileiro pode depender de punições aplicadas por outro país. Divergências internas devem ser resolvidas pelas instituições brasileiras, dentro da Constituição e das leis.

A defesa da soberania nacional não pode variar conforme quem ocupa a Presidência da República. Aceitar pressões estrangeiras contra o próprio país para obter vantagem eleitoral representa uma inversão perigosa de prioridades.

Enquanto Trump perde apoio nos Estados Unidos, seus aliados brasileiros continuam tentando apresentar sua política de confronto como demonstração de liderança. Os próprios norte-americanos, porém, começam a perceber os efeitos econômicos dessa estratégia.

A aprovação de 35% e a desaprovação de 63% mostram que o discurso de força já não consegue esconder os resultados do governo. Trump ainda controla boa parte do Partido Republicano e mantém forte presença pública, mas enfrenta uma população cada vez mais desconfiada de suas escolhas.

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