Violência letal tem queda no Brasil, mas cresce número de feminicídios e crimes contra crianças

Anuário aponta redução de mortes violentas intencionais, mas revela avanço preocupante em crimes contra mulheres e jovens

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Ag. Brasil

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Segundo a 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou queda de 5,4% nas mortes violentas intencionais (MVI) em 2024, com 44.127 casos. Apesar da redução, os feminicídios aumentaram 0,7%, totalizando 1.492 mulheres assassinadas por razão de gênero — a maioria negras, mortas por parceiros e dentro de casa.

Também cresceram os casos de violência contra crianças e adolescentes, com alta de 3,7% nas mortes e aumento de crimes como maus-tratos e abuso sexual infantil. Já os casos de estupro atingiram recorde: 87.545 ocorrências, sendo 65% dentro da residência da vítima.

A letalidade policial também preocupa. Em 2024, 6.243 pessoas morreram em ações policiais, com destaque para os estados do Amapá, Bahia e Pará — onde a taxa chegou a 7 mortes por 100 mil habitantes.

O levantamento destaca que, apesar da queda nacional, ainda persistem áreas críticas de violência, sobretudo no Norte e Nordeste, exigindo atenção permanente das autoridades e da sociedade.

O Brasil registrou 44.127 mortes violentas intencionais (MVI) em 2024, número 5,4% menor do que o total computado em 2023. Os dados constam da 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quarta-feira (24) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

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A categoria MVI inclui homicídios dolosos (inclusive feminicídios), latrocínios (roubos seguidos de morte), lesões corporais seguidas de morte, mortes decorrentes de ações policiais e óbitos de policiais dentro ou fora do serviço.

Apesar da queda nacional, o levantamento alerta para o avanço de crimes contra mulheres, crianças e adolescentes, além do aumento na letalidade policial em alguns estados, incluindo o Pará.

Perfil das vítimas permanece o mesmo

O estudo indica que, embora o número de homicídios tenha diminuído, o perfil das vítimas segue praticamente inalterado: homens jovens, negros, mortos por armas de fogo em via pública. Em 2024, 91,1% das vítimas eram do sexo masculino, 79% eram negras, 48,5% tinham até 29 anos, e 73,8% morreram por disparo de arma de fogo.

Nordeste concentra as cidades mais violentas

As dez cidades com mais de 100 mil habitantes que registraram as maiores taxas de MVI estão todas no Nordeste, com destaque para municípios da Bahia, Ceará e Pernambuco. Maranguape (CE) lidera com 79,9 mortes por 100 mil habitantes, seguida por Jequié (BA), Juazeiro (BA) e Camaçari (BA).

No recorte estadual, os índices mais elevados estão no Amapá (45,1), Bahia (40,6) e Ceará (37,5). Já os menores foram registrados em São Paulo (8,2), Santa Catarina (8,5) e Distrito Federal (8,9).

O Norte (27,7) e o Nordeste (33,8) apresentaram médias superiores à nacional, enquanto as regiões Sudeste (13,3), Sul (14,6) e Centro-Oeste (19,5) mantiveram índices mais baixos.

Feminicídios batem recorde e tentativas crescem 19%

Apesar da queda geral nas mortes violentas, o feminicídio voltou a bater recorde em 2024, com 1.492 mulheres assassinadas por razão de gênero — um aumento de 0,7% em relação ao ano anterior.

A maioria das vítimas era negra (63,6%), tinha entre 18 e 44 anos (70,5%) e foi morta por parceiros ou ex-parceiros (80%). Em 64,3% dos casos, o crime ocorreu dentro da própria casa.

Além disso, foram registradas 3.870 tentativas de feminicídio, uma alta de 19%. Outros crimes contra a mulher também cresceram: stalking (18,2%) e violência psicológica (6,3%).

Violência contra crianças e adolescentes também aumentou

Entre os menores de 0 a 17 anos, houve aumento de 3,7% nas mortes violentas, totalizando 2.356 vítimas em 2024.

Crimes como produção de material de abuso sexual infantil (+14,1%), abandono de incapaz (+9,4%), maus-tratos (+8,1%) e agressões em ambiente doméstico (+7,8%) também aumentaram.

Estupros seguem em alta, com mais de 87 mil casos

O Brasil registrou 87.545 casos de estupro em 2024, o maior número desde o início da série histórica. Desses, 76,8% foram estupros de vulneráveis, e 65% aconteceram dentro de casa.

Mulheres negras representaram 55,6% das vítimas, e em 45,5% dos casos, o agressor era familiar. Outros 20,3% foram cometidos por parceiros ou ex-companheiros.

Letalidade policial cresce em São Paulo e preocupa no Pará

Em 2024, 6.243 pessoas foram mortas por policiais no Brasil, o que representa 14,1% de todas as mortes violentas do ano. O estado de São Paulo teve aumento de 61% na letalidade policial, puxado por operações como a Escudo, na Baixada Santista.

Santos e São Vicente figuram entre as dez cidades com maiores taxas de mortes provocadas por policiais.

No caso dos estados, as polícias mais letais foram as do Amapá (17,1 por 100 mil habitantes), Bahia (10,5) e Pará (7,0) — este último apresentando índices preocupantes dentro da região Norte.

O que dizem os especialistas?

A diretora executiva do Fórum, Samira Bueno, destaca que a queda nacional nas mortes violentas é reflexo de diferentes fatores, como ações de prevenção, mudanças demográficas e reconfiguração do crime organizado. No entanto, ela ressalta que ainda existem "bolsões de extrema violência", especialmente no Nordeste.

Fonte: Ag. Brasil

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