Trump afunda nas pesquisas e vira peso até para aliados fora dos Estados Unidos
Com aprovação em patamar historicamente baixo, presidente americano mostra que sua intromissão em outros países costuma produzir o efeito contrário ao esperado
Donald Trump atravessa um dos momentos mais frágeis de sua popularidade nos Estados Unidos. Pesquisas recentes colocam sua aprovação na casa dos 36% a 37%, um índice baixo para um presidente que voltou ao poder prometendo força, controle da economia e liderança global.
O problema é que, para boa parte dos americanos, o discurso grandioso não tem conseguido esconder o peso do custo de vida, das crises externas e da instabilidade política.
O desgaste aparece em temas centrais. Levantamentos recentes mostram reprovação elevada na economia, no custo de vida e na condução de conflitos internacionais, especialmente no caso do Irã.
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Mesmo entre setores que tradicionalmente deram sustentação a Trump, como eleitores rurais, há sinais de cansaço. Quando combustível, comida e contas básicas pesam no bolso, o palanque perde força.
Mas a baixa de Trump não fica restrita aos Estados Unidos. O presidente americano também vem se tornando um problema político fora de seu país.
Sua tentativa constante de se meter nas decisões internas de outras nações, apoiar candidatos alinhados à sua visão e tratar países soberanos como extensão de seus interesses tem provocado uma reação previsível: o eleitorado local costuma rejeitar quem parece aceitar tutela estrangeira.
Foi assim no Canadá. Em 2025, a pressão de Trump, suas ameaças comerciais e até falas sobre anexação do país ajudaram a fortalecer a reação nacionalista canadense.
O resultado foi uma virada política que beneficiou os liberais e enfraqueceu conservadores associados ao trumpismo. O eleitor canadense não votou apenas em um governo. Votou também contra a sensação de que Washington queria dizer o rumo do país.
Na Austrália, movimento parecido também apareceu. A política tarifária e o estilo agressivo de Trump entraram no debate eleitoral e ajudaram o Partido Trabalhista de Anthony Albanese a se apresentar como opção de estabilidade diante da turbulência vinda dos Estados Unidos.
O adversário conservador acabou pagando parte da conta por estar mais próximo de uma lógica política parecida com a de Trump.
Isso revela uma lição simples: povo nenhum gosta de sentir que sua eleição está sendo conduzida de fora. Pode ser nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália, no Brasil ou em qualquer outro lugar.
Quando um líder estrangeiro tenta empurrar sua preferência para dentro de outro país, a reação natural é de defesa da soberania. O voto vira também uma forma de dizer: quem decide aqui somos nós.
Trump parece ainda não ter entendido esse limite. Age como se sua influência fosse suficiente para transferir força a aliados internacionais. Mas, em muitos casos, ocorre o oposto. Seu apoio vira desgaste. Sua pressão vira rejeição. Sua presença, em vez de ajudar, acaba contaminando politicamente quem tenta se apresentar como representante de interesses nacionais enquanto se aproxima demais de uma liderança estrangeira.
Para o Brasil, a lição é direta. Qualquer projeto político que busque força em apoio externo precisa explicar a quem pretende servir. O país pode dialogar com o mundo, mas não pode aceitar que seus rumos sejam tratados como assunto de gabinete estrangeiro.
Democracia de verdade passa pelo voto popular, pelo respeito às instituições e pela soberania nacional.
No fim, a baixa popularidade de Trump não é apenas uma crise pessoal. É o desgaste de um método político baseado em pressão, ameaça e interferência. E quando esse método atravessa fronteiras, encontra uma barreira poderosa: o sentimento de pertencimento de cada povo ao próprio país.
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