Ex-ministro Carlos Lupi admite falhas no combate a fraudes no INSS
Em depoimento à CPMI, ele reconheceu que governo não tinha dimensão do esquema que afetou milhões de aposentados
Ag. Brasil
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O ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, admitiu na CPMI do INSS que o governo já recebia denúncias sobre irregularidades, mas não tinha noção da dimensão das fraudes que atingiram milhões de aposentados e pensionistas. A Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF e CGU em abril, revelou descontos indevidos que somam R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, afetando mais de 4 milhões de beneficiários.
Lupi reconheceu falhas na atuação do INSS, defendeu a revisão dos empréstimos consignados e afirmou não ter sido denunciado nas investigações. A CPMI também aprovou a convocação de ex-ministros, ex-presidentes do INSS e nomes ligados ao esquema, como o “Careca do INSS” e o empresário Maurício Camisotti.
O ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, afirmou na última segunda-feira (8) que o governo já recebia denúncias sobre possíveis irregularidades no INSS desde 2023, mas não tinha a real dimensão das fraudes. O depoimento ocorreu durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os desvios.
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Segundo Lupi, somente após a atuação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) foi possível identificar a extensão das irregularidades. “Nunca tivemos a capacidade de dimensionar o volume do que esses criminosos fizeram no INSS. Isso só veio à tona depois das investigações da Polícia Federal”, declarou.
Operações anteriores
O ex-ministro lembrou que a PF já havia aberto inquéritos em 2016 e 2020 para apurar fraudes na Previdência, mas ambos foram arquivados. Ele também ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só foi informado sobre os problemas no dia da operação que revelou o esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Normas sem efeito e demissão
Na CPMI, Lupi reconheceu que a instrução normativa criada pelo INSS em 2024 para regular descontos de mensalidades associativas não trouxe resultados. “Faltou uma ação mais enérgica do INSS para coibir”, disse.
Ele comandou a pasta entre 2023 e 2025, mas deixou o cargo em maio, após a deflagração da operação. Ressaltou ainda que não foi denunciado nem citado formalmente nas investigações.
Fraudes e valores envolvidos
A Operação Sem Desconto, deflagrada em abril deste ano, revelou que entidades investigadas teriam descontado indevidamente cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. Mais de 4 milhões de beneficiários afirmaram não ter autorizado os débitos, e aproximadamente 2 milhões já aderiram ao acordo de ressarcimento.
Consignado em debate
Durante a sessão, Lupi defendeu também a revisão das regras de empréstimos consignados: “Se acabaram com os descontos de associações em folha, por que não rever também os de crédito consignado?”, questionou.
CPMI amplia convocações
A comissão aprovou requerimentos para ouvir ex-ministros da Previdência, ex-presidentes do INSS e dirigentes de entidades acusadas de envolvimento nas fraudes. Também foram convocados Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti, apontados como operadores do esquema.
Fonte: Ag. Brasil
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