Instabilidade na COOMIGASP preocupa cooperados; veja pronunciamento de Deuzita

Após afastamento de Deuzita, a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada estaria enfrentando paralisia administrativa

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Deuzita Rodrigues, presidente da COOMIGASP eleita pela assembleia, mas atualmente afastada por decisão judicial.

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A COOMIGASP vive um momento de profunda paralisia administrativa desde o afastamento da presidente eleita, Deuzita Rodrigues da Cruz Viana, por força de uma sentença judicial ainda em discussão no Tribunal de Justiça do Pará. Embora a decisão tenha declarado João Alves Araújo como presidente, a diretoria permaneceu composta pelos mesmos membros eleitos junto com Deuzita, criando uma estrutura sem clareza de comando. Cooperados relatam não conseguir encontrar o presidente nem na sede da cooperativa, nem na cidade de Curionópolis, o que acentua a sensação de abandono.

Apesar das dificuldades enfrentadas durante sua gestão por ataques de um grupo opositor, Deuzita é lembrada com respeito por cooperados que reconheceram os avanços alcançados em sua presidência, como regularizações administrativas, diálogo aberto e fortalecimento da representatividade da entidade. Muitos consideram que a cooperativa perdeu sua vitalidade justamente após sua saída. O Jornal Pará anuncia que passará a publicar uma série de matérias especiais sobre os bastidores da disputa interna que vem comprometendo o futuro da COOMIGASP.

“A cooperativa nunca mais foi a mesma desde que tiraram a Deuzita.” A frase, dita com tristeza por um cooperado ouvido pelo Jornal Pará sob anonimato, ecoa nos corredores vazios da sede da COOMIGASP - Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada.

Desde que a presidente eleita, Deuzita Rodrigues da Cruz Viana, foi afastada judicialmente após uma decisão de primeiro grau, muitos cooperados afirmam que a entidade perdeu sua alma, seu brilho, e o trabalho desapareceu.

Embora a sentença tenha declarado João Alves Araújo como presidente, diversos cooperados questionam não apenas a forma como a transição se deu, mas também o impacto que isso teve no cotidiano da cooperativa.

Veja pronunciamento feito por Deuzita no dia 01 de agosto de 2025:

“Hoje é difícil até saber quem comanda. Não vemos o presidente na sede. Nem em Curionópolis ele aparece. Nos sentimos completamente abandonados”, disse outro cooperado que pediu para não ser identificado, temendo represálias.

Deuzita foi eleita democraticamente e, apesar das resistências internas, conduziu uma gestão marcada por enfrentamentos corajosos, regularização documental da entidade, parcerias estratégicas e diálogo aberto com os cooperados.

Mesmo sob fortes ataques de um grupo opositor que operava paralelamente, sua gestão conquistou avanços reconhecidos - inclusive pelos que se diziam contrários à sua presença.

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“O que a oposição esqueceu é que os benefícios que ela conquistava eram para todos nós, não só para quem gostava dela”, reforçou outro associado, também sob anonimato.

A decisão judicial que a afastou tem sido alvo de duras críticas entre especialistas em Direito Cooperativo. A própria Junta Comercial do Estado do Pará (JUCEPA), em documentos oficiais juntados ao processo, apontou vícios graves nos atos que tentaram destituí-la - inclusive declarando nulo o protocolo utilizado para sustentar a suposta eleição de João Alves.

A situação atual da diretoria da COOMIGASP beira o inexplicável: enquanto a sentença reconhece João Alves como presidente, todos os demais membros da diretoria permanecem os mesmos que foram eleitos juntamente com Deuzita. Uma contradição que, para muitos, transformou a cooperativa numa entidade “sem rosto, sem comando e sem representatividade”.

O recurso interposto por Deuzita já tramita no Tribunal de Justiça do Estado do Pará e busca não apenas restaurar sua legitimidade como presidente, mas também restaurar a normalidade institucional da COOMIGASP. Em paralelo, denúncias criminais relacionadas a documentos utilizados para afastá-la também estão em curso na Justiça Federal. Para pessoas ouvidas pelo Jornal Pará, a oposição foi desleal nas estratégias para retirar Deuzita da presidência. 

Diante da gravidade do momento e da crescente insatisfação dos cooperados, o Jornal Pará anuncia que passará a acompanhar de perto os bastidores da COOMIGASP.

Esta é apenas a primeira de uma série de reportagens especiais que trarão à tona os conflitos, documentos e decisões judiciais que afetam diretamente a vida de milhares de garimpeiros de Serra Pelada.

O futuro da COOMIGASP está em disputa, e, com ele, o destino de uma história marcada pela luta, pela esperança e pelo ouro que há décadas uniu os garimpeiros de Serra Pelada, protagonistas de um dos capítulos mais emblemáticos da mineração popular no Brasil.

 

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